quarta-feira, 20 de julho de 2011

O médico fantasma

Esta história tem sido contada de pai para filho na cidade de Belém do Pará.
Tudo começou numa norte de lua cheia de um sábado de verão. Dois garotos conversavam sentados na varanda da casa de um deles.
- Você acredita em fantasma? - perguntou o mais novo. — Eu não! - disse o outro.
- Acredita sim! - insistiu o mais novo.
- Pode apostar que não - replicou o outro.
- Tudo bem. Aposto minha bola de futebol que você não tem coragem de entrar no cemitério à noite.
- Ah, é? - disse o garoto que fora desafiado. — Pois então vamos já para o cemitério, que eu vou provar minha coragem.
Assim, os dois garotos foram até a rua do cemitério. O portão estava fechado. O silêncio era profundo. Estava tão escuro... Eles começaram a sentir medo.
Para ganhar a aposta, era preciso atravessar a rua e bater a mão no portão do cemitério. O garoto que tinha topado o desafio correu. Parou na frente do portão e começou a fa¬zer caretas para o amigo. Depois se encostou no portão e tentou bater a mão nele. Foi quando percebeu que ela estava presa.
- Socorro! Alguém me ajude! -ele gritou, desmaiando em seguida.
Nisso, apareceu um velhinho vin¬do do fundo do cemitério, abriu o portão e chamou o outro menino.
- Seu amigo prendeu a manga da camisa no portão e desmaiou de medo. Coitadinho, pensou que algum fantasma o estivesse segu¬rando.
O garoto reparou que o velhinho era muito magro, quase transparente.
- Obrigado. Como é que o senhor se chama?
- Eu sou o médico daqui. Vou acordar seu amigo.
O velhinho passou a mão na cabeça do menino desmaiado e ele despertou no mesmo instante.
- Vão para casa meus filhos — ele disse. - Já passou da hora de dormir.
No dia seguinte, os meninos foram procurar o velhinho para agradecer-lhe a ajuda. Mas não o encontraram, nem no cemitério, nem em lugar nenhum. E foi assim que ambos perderam o medo de fantasma, quando perceberam que nem todos os seres misteriosos fazem o mal. Pelo contrário, podem até ajudar. Como aquele médico, que nunca mais apareceu.

(História do folclore brasileiro)
Heloísa Prieto. Lá vem história outra vez - Contos do folclore mundial. São Paulo:
Companhia das Letrinhas, 1997. p. 66-67

terça-feira, 12 de julho de 2011

Educação

Falar sobre educação hoje, nos abre um leque muito grande de possibilidades e necessidades, sou professora na rede pública em goiânia e a cada dia sinto que nossos alunos precisam valorizar a leitura e a escrita.
Por isso professor, desenvolva a socialização, estimule a afetividade, construa ponte produtiva nas relações sociais, estimule a sabedoria, supere conflitos e valorize o ser...

Não esqueça de contar histórias, ela desenvolve a criatividade, educa a emoção, estimula a sabedoria, expande a capacidade de soluções em situações de tensão, enriquece a socialização.

Coloco aqui algumas sugestões de atividades que podem ser utilizadas em parceria com a literatura:
* Leia para os alunos uma parte da história, provoque o interesse em saber a continuidade.
*Leia o título do livro e mostre a capa afim de que os alunos imaginem o fim da mesma.
*Leia o final da história e peça que os alunos relatem o que aconteceu antes.
*Permita o comentário sobre a história que você leu.
*Sugira que os alunos formem dupla e cada um escreva sobre o que leu ,ou que ouviu.

Considerações sobre poemas:
É importante que os poemas estejam presentes na vida dos alunos diariamente e que sejam bem trabalhados pelo professor, que deve dirijir a atenção para a forma artistica e para o lúdico. Pode-se explorar a sonoridade e a linguagem própria dos poemas infantis.
Que tal começar com as cantigas de roda, que são tão importante para elas no nivel afetivo-emocional, Isso possibilitará que o aluno aprenda o que é estrofe, verso, rima e linguagem figurada...

Um exemplo para o trabalho de leitura com poema

Em Famíla
N A Escola das Nuvens não vai ninguém
__ porque não existe Escola das nuvens

As nuvens aprendem tudo em casa.
Mamãe nuvem ensina como se faz chuva.
Papai-nuvem ensina como se faz uma chuva
DAQUELAS BEM FORTES.
Mamãe- nuvem faz assim:
CATATRÁ- Catatatrá!
Papai-nuvem faz assim:
CATATRÃ0- CATATATRÃO!
E o filhinho- nuvem faz assim:
catatrim-
catatatrim
e
cai
um
pinguinho
pequenininho
assim
que
faz
pim
pilim
pimpim!...

CAMARGO,Luís.O cata- vento e o ventilador.10ª ed.São Paulo:FTD,1998.P.4-5.

domingo, 10 de julho de 2011

Insetos nos doces

Se você toma sorvete, iogurte ou come bolacha e morango, então, provavelmente,você come inseto também. Biscoitos e sorvetes costumam conter corantes feitos com certos insetos.
Seu nome cientifico é Dactylopius coccus, mas o inseto mexicano é popularmente conhecido como cochonilha, criado em todo o mundo para gerar corante vermelho.
Para fazer meio quilo de corante são necessários 70 mil insetos esmagados e fervidos. Ao mesmo tempo, as cochonilhas são combatidas nas plantações, pois são pragas, especialmente das frutas cítricas, como a laranja e o limão.
Para saber se você come inseto, busque nas embalagens os nomes "vermelho 4, vermelho 3" ou "carmim", "cochineal", "corante CI", "corante EI20", que são sinônimos do corante feito de cochonilha.

Folha de S.Paulo, 23 AGO.2003.Folhinha.

O DIA EM QUE O SOL SUMIU

Um,dia, Amaretsu, a deusa do Sol, cansada dos maus tratos do seu irmão Susanowo, o deus da tempestade, resolveu se refugiar numa caverna celestial.
Susanowo fazia toda espécie de maldade e as tentativas da irmã em corrigir seu caráter não davam em nada.Susanowo destruía seus campos de arroz e sujava o seu templo, mas a gota d'água foi o aparecimento de uma visão assustadora. Susanowo fez um furo o teto da sala de tecer , onde as amas de Amaterasu preparavam suas vestes e fez descer um cavalo malhado, com as costas esfoladas propositadamente por ele. As amas desmaiaram de susto e Amaterasu apavorada fugiu para sempre.
A partir deste dia todas as planícies de bambu da terra e as planícies do céu ficaram na mais profunda escuridão. Isto facilitou todo tipo de atividades das divindades do mal.
Os deuses celestiais perceberam que era preciso tomar uma atitude imediatamente. Então os 8 milhões de deuses se reuniram numa assembléia, a fim de juntos elaborarem um plano para trazer Amaterasu de volta.
Plantaram uma enorme árvore e decoraram-na com jóias. Junto dela foram colocados galos que cantavam eternamente, como se anunciassem a aurora. Acenderam fogueiras e entoaram cânticos e preces.Nos galos da árvore foi colocado um grande espelho e o jovem deus Uzume iniciou uma dança alegre que logo contagiou a todos. Agora 8 milhoes de deuses dançavam e riam, enchendo o ar de alegria e sons.
Da sua caverna Amaterasu podia ouvir os sons que vinham da festa e, curiosa, quis saber o que acontecia. Abriu a porta e disse:
_ Pensei que, com minha retirada, céu e terra estivessem na escuridão. Por que Uzume dança e os deuses cantam e riem?
Uzume respondeu:
_ Fazemos festa porque há uma divindade ainda mais ilustre que você!
Neste momento dois outros deuses aproximaram o espelho e colocaram-no em frente a Amaterasu, que ficava cada vez mais surpresa ao ver aquela bela divindade. O que ela não sabia é que se tratava dela mesma. Um outro deus a tomou uma corda de palha e passou em torno de Amaterasu, impedindo que ela tornasse a se refugiar na caverna.
_ Esta corda é o seu limite. Precisamos da sua luz, grande Amaterasu.
Dali em diante a luz voltou a reinar nas planícies celestiais e nas planícies da terra.
Porém à noite Amaterasu se recolhe e vem a escuridão. No outro dia ela é trazida para fora e outra vez vem a luz. De noite a escuridão, de dia a luz. E isto é para sempre.
Bussato, Cléo
Contar e encantar: Pequenos segredos da narrativa/Cléo Bussato.- Petrópolis, Rj: Vozes, 2003.